Auroras

(uma tradução livre do artigo publicado originalmente no livro GURPS Aliens, da antiga 3ª edição, páginas 30 e 31).

Auroras são criaturas de pura energia mental, e que podem escolher ter qualquer aparência. As manifestações comuns destes seres podem ser elaboradas mandalas brilhantes com quilômetros de diâmetro ou um ponto de luz tão intenso quanto uma estrela. Não é raro, também, surgirem nas formas de humanos ou outras raças.
Eles são vistos em quaisquer lugares no espaço; nada se sabe sobre seu planeta natal (se é que existe algum). Eles não têm nenhuma limitação quanto ao ambiente.

Vantagens e Desvantagens

auroraOs poderes dos Auroras estão muito além da escala humana; portanto, é descabido construir este tipo de personagem usando o sistema do Módulo Básico. Eles não são onipotentes, mas, para encontros casuais numa aventura, estes seres podem fazer o que o GM (o mestre) quiser.

Caso alguém julgue necessário definir exatamente as características de um Aurora, deve construí-lo com pelo menos 3.000 pontos, distribuídos aproximadamente em: 1.000 pontos para Atributos e Perícias; 1.000 pontos para Poderes e Perícias psíquicos e os pontos restantes gastos com Vantagens diversas, as quais devem incluir Imortalidade, Insubstancialidade, Invisibilidade, Resistência ao Vácuo, Visão Espectrográfica, Carisma e Voz Melodiosa. Eles também fazem viagens interestelares acima da velocidade da luz sem nenhum equipamento aparente!

Nomes

Como a maioria das raças de forma psíquica, os Auroras não possuem nomes, mas símbolos mentais que definem sua existência (embora que sensitivos de outras raças possam produzir apenas uma rude abstração do verdadeiro nome de um Aurora).
Auroras podem adotar nomes selecionados a partir da mente do indivíduo com quem estão conversando. Sendo assim, figuras mitológicas costumam entrar na escolha. Exemplos incluem Dionísio, Ariel, Osíris e Baldur. Eles também usam o nome “Aurora” para designar sua raça, quando conversam com humanos.

Psicologia

Os Auroras abandonaram os planetas para as raças inferiores e agora vivem entre as estrelas. Eles transcenderam a matéria, mas ainda estão ativos e são imensamente poderosos. Eles podem tomar qualquer forma física à vontade. Auroras são uma raça muito antiga – mais do que os Engai ou os Liook Sujan.

Auroras são realmente imortais, no sentido lato da palavra. Nenhuma força conhecida é capaz de matar um Aurora, embora que eles assumam que são capazes de deixar este plano de existência, se assim desejarem.

Aparentemente, eles têm interesse em outras civilizações galácticas. Não é difícil um Aurora surgir próximo a um mundo habitado, e eles são frequentemente vistos acompanhando naves espaciais, às vezes durante boa parte da viagem.

Eles nunca interferem no desenvolvimento de outras espécies, mas, de vez em quando, comunicam-se com os mortais – talvez gostem de conversar com seres inferiores a eles. Com frequência, o assunto dessas conversas gira em torno de trivialidades: a família do interlocutor, pequenos detalhes de seu emprego, preferências de lazer ou posicionamento político. Os Auroras preferem mais fazer perguntas do que respondê-las. Eles irão embora no caso de alguém questioná-los demais.

Ocasionalmente, é possível fazer amizade com um Aurora. Conta-se que um velho minerador de asteroides mantinha contato rotineiro com um Aurora por mais de 50 anos. Ambos pareciam lidar entre si, mutuamente, como um tipo de animalzinho doméstico.

Em ocasiões muito raras, porém, um Aurora surgirá com uma mensagem ou um alerta. Se isso acontecer, será algo de literal importância galáctica. Os Auroras não se importam muito com indivíduos ou até planetas, mas uma ameaça para uma raça inteira pode comovê-los.

Com seus poderes de precognição e intelectos supremos, Auroras são aptos a antecipar crises em futuros distantes o suficiente para que haja tempo para que seres mortais consigam evitá-las, caso sejam avisados. Porém, por que os Auroras evitam usar seus poderes quase divinos (podendo resolver tais crises com um mero pensamento) e ainda levam os mortais a realizar tarefas nesse sentido, é um mistério.

A ficção popular aproveitou-se muito desse tema. De fato, Auroras já interferiram diretamente em assuntos mortais apenas uma meia dúzia de vezes desde que os Irari começaram a viajar pelo espaço e iniciaram o ciclo da história galáctica. Em apenas uma de tais ocasiões as consequências do fracasso foram explicadas aos mortais contactados.

Ecologia

Auroras existem desde a época dos Precursores. Talvez os Auroras sejam os Precursores, agora em seu estágio evolucionário final. Esta parece ser a melhor explicação da existência da raça – de que eles já foram seres físicos, mortais, os quais evoluíram ao ponto de transcender a matéria. Alguns sugerem que os Auroras sejam o estágio de evolução final de todas as espécies que sobreviverem tempo suficiente para isso. Alguns Auroras já fizeram enigmáticos comentários apontando que antes, eram seres físicos, mas eles nunca afirmam claramente.

Outro mistério é como, ou mesmo se, os Auroras se reproduzem. Certamente, se a teoria multirracial é verdadeira e a população Aurora é periodicamente aumentada a partir de toda uma raça evoluída, não há necessidade de reprodução. É sabido que um Aurora pode dividir-se em dois os mais indivíduos da espécie, mas se isso é uma reprodução verdadeira ou apenas uma divisão temporária da consciência de um mesmo ser, é algo desconhecido.

Cultura

Os Auroras parecem ser solitários por natureza. Das centenas de testemunhos e visualizações de encontros com Auroras, apenas quatro envolveram mais de uma entidade. Em uma ocasião era um grupo de quatro, nas outras, eram duplas.

Alguns místicos alegam que os Auroras estão em uma guerra contínua contra seres hostis oriundos de outra realidade que desejam conquistar, destruir ou devorar nosso universo. Felizmente, invasões desses seres, geralmente chamados de “Outros” são muito raras. Boa parte do esforço dos Auroras é determinado a prevenir novas invasões antes que ocorram. Os místicos declaram que tais invasões serão a causa do fim de uma era galáctica.

Um Aurora, certa vez, descreveu sua existência como “observar e vagar… criar novos pensamentos… e esperar.” Quando questionado sobre o que ele estava esperando, não houve resposta.

Política

Os Auroras nunca tomam parte na política de raças mortais. Nas raras situações em que precisam de algo de seres físicos, eles geralmente aproximam-se de um ou mais indivíduos sem importância específica, e os enviam para obter qualquer cooperação oficial necessária. Isso evoca histórias de visitas divinas em muitas religiões, e já foi sugerido que alguns desses casos tenham sido baseados em encontros com esses seres. Os Auroras acham essa ideia ofensiva, e declaram com veemência que nenhum Aurora jamais alegaria ser uma divindade. Eles dizem que existem seres ainda mais poderosos e avançados: “Você pode chamá-los de deuses, se quiser.”

Os Auroras fazem muitos comentários sobre outras raças galácticas. Liook Sujan são considerados “quase prontos” por eles – o que reforça ainda mais a ideia de que muitas raças podem evoluir para os Auroras.

Eles parecem muito insatisfeitos com os Engai, referindo-se a eles como “fracasso total”. Auroras falam muito do potencial dos humanos, Kaa, Mmm e dos Cidi. Um comentário específico sobre os humanos e os Kaa era “Eles representam um incrível perigo para toda a galáxia, assim como as grandes raças são.”

– Notas laterais do capítulo –

Auroras na Campanha

Em qualquer campanha, em qualquer gênero de jogo, é sempre bom ter um amigo que consiga fazer de tudo. Os Auroras podem suprir a cota de onipotência de qualquer jogo muito bem. Eles não devem interferir muitas vezes, a fim de que a campanha não caia no velho problema de Jornada nas Estrelas: “a galáxia está cheia de alienígenas onipotentes de todo tipo, e não é legal que eles nos deixam brincar com nossas naves espaciais?”

Se os PCs não desejam se sentir como os insetos que são, é melhor que os Auroras sejam raros e reservados.

Um encontro casual com um Aurora é um evento impressionante que cria atmosfera quando uma partida de jogo está desanimada. Uma forma muito boa de usá-los em uma campanha que já ocorre há muito tempo (na qual os PCs já adquiriram muita experiência) é fazer o grupo de personagens  encontrar um cemitério perdido de naves espaciais, realizando uma turbulenta busca para recuperar o antigo artefato antes que alguém o faça e “desligue” o universo…

Um Aurora pode ser usado como um Patrono se o GM desejar que os personagens realmente precisem desse tipo de suporte poderoso. Um Inimigo Aurora, por outro lado, daria um tipo de “Papai Noel” pelo avesso: “ele te vê quando está dormindo, ele sabe quando você acorda. Ele sabe se você foi um bom ou mau menino…”

Um Aurora inimigo não deveria aparecer mais do que um resultado de 6 ou menos nos dados. Ele surgiria do nada, ocasionalmente, e derreteria a espaçonave dos PCs, teleportaria-os galáxia afora, anunciaria seus planos ao segundo maior inimigo… entre outras traquinagens. Assim que isso acontecer duas ou três vezes mais, os PCs considerariam seriamente a estratégia “implorar por misericórdia”…

Se o GM quiser aceitar a ideia da “guerra celestial” – aquela em que os Auroras estão em confronto com insólitos horrores fora de nossa dimensão – teria um novo leque de aventuras multidimensionais e de alto nível de poder.

Auroras como Personagens

Em uma campanha de 4.000 pontos (em que tudo é possível), um Aurora daria um ótimo personagem jogador. Caso contrário, esqueça.

 – Ideias para aventuras –

A mensagem

Os jogadores são contatados por um Aurora. Ele informa que o sol que ilumina um planeta habitado está prestes a explodir, por nenhuma razão discernível, em cerca de um ano. O Aurora não explica por que isso vai acontecer, nem os PCs dispõem de qualquer meio para verificar e confirmar tal fato. Ele também não esclarece por que uma única estrela é de tal importância para justificar a intervenção de um Aurora.

Quando os jogadores chegam ao mundo condenado, encontrarão autoridades totalmente céticas. Está nas mãos dos jogadores persuadir a população do planeta de que o alerta do Aurora é real e verdadeiro. Eles podem entrar em contato com os tabloides locais para reunir algum suporte, concentrar no convencimento de algum político bastante popular, tentar uma análise oficial do sol urgente ou encontrar um poderoso telepata que confirme que não estão mentindo sobre o que o Aurora disse. O mestre de jogo deve deixar os jogadores livres para elaborar suas ideias.

Se forem bem-sucedidos, eles podem auxiliar nos trabalhos de coordenação do esforço para evacuar o planeta. Se falharem, o sol explodirá no prazo avisado, e muitas pessoas culparão os PCs, bem do jeitinho que as pessoas são.

O leão e o camundongo

Esta é para aqueles GMs que se interessaram pelo tema “guerra celestial”.

Os sensores da nave dos jogadores captam estranhas e poderosas leituras de energia a uma extrema distância. Quando chegam ao local, descobrem um Aurora sendo atacado por uma enorme e burlesca criatura horrível, que tem um Aurora contido em um campo de uma estranha e sombria energia, como uma aranha prestes a devorar uma mosca na teia. Se os Auroras podem ou não ser mortos, ninguém sabe… mas este Aurora parece estar em situação desesperadora.

Claro que a sórdida cena está além da capacidade dos jogadores, mas, se utilizarem o armamento da espaçonave com força total, talvez consigam distrair a coisa o suficiente para que o Aurora consiga libertar-se e virar o jogo.

Este cenário pode ser usado para introduzir os personagens na guerra e para concedê-los um amigo bem poderoso. Também pode ser uma desculpa para aumentar o nível de poder da campanha… talvez, a morte da criatura horrenda liberou uma descarga de energias psíquicas que afetaram os personagens de muitas formas estranhas, e eles passaram a desenvolver poderes derivados. Os personagens jogadores ainda seriam insetos comparados ao seu novo amigo Aurora, mas agora eles são insetos com ferrões, e isso poderia ser útil.

Fonte: GURPS Aliens, Chris W. McCubbin, 1990. Páginas 30 e 31.

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